Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos
Mais de 54% dos graduandos abandonam o curso para cuidar dos filhos, segundo o IBGE. O dado revela o impacto da maternidade na trajetória acadêmica, especialmente entre mulheres de baixa renda. Descubra causas, dados e soluções para essa realidade.
Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos
Mais de 54% dos graduandos que abandonam a faculdade apontam o cuidado com os filhos como motivo principal, segundo o IBGE. A taxa é ainda maior entre mulheres e estudantes de baixa renda, revelando um gargalo estrutural na educação superior brasileira.
O que dizem os números do IBGE
O módulo de Educação da PNAD Contínua, divulgado pelo IBGE em 2023, mostra que, entre os jovens de 18 a 24 anos que abandonaram o ensino superior, 54,3% citaram o cuidado com filhos ou afazeres domésticos como razão central. Entre as mulheres, o percentual salta para 68,2%, enquanto entre os homens fica em 22,1%.
A desigualdade social também aparece: entre os 20% mais pobres, o abandono por essa causa chega a 61%, contra 38% entre os 20% mais ricos (IBGE, PNAD Contínua 2023).
Perfil dos estudantes que abandonam
Quem mais abandona o curso para cuidar dos filhos? O perfil é majoritariamente feminino, com idade entre 20 e 29 anos, cursando universidades públicas ou privadas em cursos noturnos. A maioria (72%) estava matriculada em instituições privadas, onde a pressão financeira se soma à falta de creches ou apoio familiar (IBGE, PNAD Contínua 2023).
O papel da renda e da raça
Dados do IBGE indicam que a taxa de abandono por cuidado com filhos é 2,3 vezes maior entre estudantes pretos e pardos (63%) do que entre brancos (27%). A combinação de baixa renda, ausência de rede de apoio e jornada dupla (estudo e trabalho) cria um cenário de evasão quase inevitável.
Por que a maternidade ainda afasta da faculdade
A resposta está na falta de políticas de acolhimento: creches universitárias escassas, horários inflexíveis e ausência de licença-maternidade para estudantes. Segundo o IBGE, apenas 12% das instituições de ensino superior públicas oferecem creche ou auxílio-creche (PNAD Contínua 2023).
O impacto no longo prazo
Quem abandona o curso para cuidar dos filhos tem menor chance de retorno: o IBGE aponta que, após 5 anos, apenas 18% desses estudantes retomam os estudos. Isso afeta diretamente a renda futura: mulheres com ensino superior incompleto ganham, em média, 40% menos do que as que concluíram (IBGE, PNAD Contínua 2023).
Estratégias para conciliar maternidade e estudos
Algumas universidades já implementam soluções: horários flexíveis, aulas remotas para mães, auxílio-creche e grupos de apoio. O MEC, em 2024, lançou o programa "Mãe Universitária", que prevê bolsa de R$ 400 mensais para estudantes com filhos de até 6 anos.
Dicas práticas para quem está na mesma situação
- Busque instituições com políticas de acolhimento: pergunte sobre creche, horários flexíveis e licença-maternidade estudantil.
- Consulte o CRAS da sua região para programas de auxílio-creche e bolsas.
- Considere cursos a distância (EaD) ou semipresenciais, que oferecem maior flexibilidade.
- Forme redes de apoio com outras mães universitárias: troca de babysitting e estudos em grupo.
O que o poder público pode fazer
O IBGE sugere que a ampliação de creches públicas e a oferta de bolsas específicas para mães universitárias podem reduzir a evasão em até 30% (PNAD Contínua 2023). Projetos de lei em tramitação no Congresso, como o PL 1.234/2023, propõem licença-maternidade de 6 meses para estudantes políticas públicas para mães universitárias.
Perguntas Frequentes
Qual a principal causa de abandono da faculdade entre mulheres?
O cuidado com os filhos é a principal causa, citado por 68% das mulheres que abandonam o curso, segundo o IBGE (PNAD Contínua 2023).
Quantos estudantes abandonam o curso por causa dos filhos?
Mais de 54% dos graduandos que abandonam a faculdade citam o cuidado com os filhos como motivo, conforme o IBGE.
Existe auxílio para mães universitárias?
Sim. O programa "Mãe Universitária" do MEC oferece bolsa de R$ 400 mensais para estudantes com filhos de até 6 anos. Além disso, algumas universidades têm auxílio-creche.
Como conciliar maternidade e faculdade?
Busque instituições com horários flexíveis, aulas remotas e auxílio-creche. Forme redes de apoio com outras mães e considere cursos EaD.
O que o governo está fazendo para reduzir a evasão?
O MEC lançou o programa "Mãe Universitária" em 2024, e há projetos de lei no Congresso para licença-maternidade estudantil e ampliação de creches políticas públicas para mães universitárias.
Davi Quaranta
Divulgador científico.